BIOGRAFIA

FLA||RA  FERRO

   Nascida em Recife, Flaira ingressou na vida artística aos seis anos de idade através da dança. Filha de pais foliões, viveu a infância rodeada de estímulos artísticos ligados às manifestações do carnaval de Pernambuco. Formada em Comunicação Social pela UNICAP (Recife), é pesquisadora, dançarina, atriz, cantora e foi professora de danças populares do Instituto Brincante (SP).

   Aluna do lendário mestre Nascimento do Passo, Flaira tem trajetória ligada a difusão do frevo desde a infância e trabalha na criação de espetáculos e pesquisas que têm como base a dificuldade de se traçar identidades puras no mundo contemporâneo.

   Nos últimos anos desenvolveu vários trabalhos de dança entre interpretação e coreografia. Em 2011 estreou em Recife seu primeiro espetáculo solo O frevo é teu?, dirigido por Bella Maia. O trabalho lhe rendeu prêmio de melhor bailarina no 17º festival Janeiro de Grandes Espetáculos, maior festival de artes cênicas do Nordeste.

   Em 2013 realizou ao lado da dançarina e pesquisadora Valéria Vicente a pesquisa artística O Espaço do Passo, projeto fomentado pelo edital Funcultura/2012. Em janeiro de 2014 estreou Frevo de Casa no Centro Cultural Correios, um espetáculo de improvisação entre música e dança com o maestro Spok, o percussionista Lucas dos Prazeres e a dançarina Valéria Vicente.

   Apesar da dança ser o carro-chefe da sua trajetória, ocupando a maior parte de seu tempo e dedicação, Flaira estuda canto e sempre teve interesse em criar e se expressar através da música e da poesia. Ainda que guardadas em segredo ou compartilhadas apenas entre amigos e familiares, suas composições sempre estiveram presentes em cadernos e gravadores pessoais.

   Em 2012 mudou-se para São Paulo a convite dos artistas Rosane Almeida e Antônio Nóbrega para trabalhar em projetos do Instituto Brincante, espaço conhecido por atuar na reelaboração da cultura brasileira. Lá teve a oportunidade de estudar percussão e conhecer músicos que mais tarde viriam a se tornar parceiros na criação de Cordões Umbilicais, o primeiro projeto de música autoral que marca uma nova fase da artista como cantora e compositora.

   O disco foi sendo divulgado pela internet e foi pré-lançado em outubro de 2014, na Sala Crisantempo, em São Paulo. Com casa lotada e boa aceitação do público, o trabalho é uma produção independente que conta com a generosidade e o carinho de muitos amigos.

   Quatro anos após o álbum de estreia Cordões umbilicais (2015), Flaira Ferro reaparece com álbum reativo aos desmandos e injustiças do mundo ainda patriarcal. O título Virada na jiraya reproduz expressão popular que significa estar com raiva.

   Esse título sinaliza que há leveza e eventual humor (mordaz) na ira feminina destilada por Flaira no álbum produzido por Yuri Queiroga, com exceção de Coisa mais bonita, faixa produzida por Pupillo Oliveira e previamente apresentada em março de 2018.


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